folha 03/11/2010
A presidente eleita Dilma Rousseff classificou como "uma coisa muito bárbara" a execução da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani. A declaração da petista se soma ao apelo do governo brasileiro em favor da clemência.
"Eu sou radicalmente contra o apedrejamento", disse Dilma, após ser questionada por repórteres. Ela acrescentou que comentaria o caso mesmo não tendo ainda tomado posse. "Entendo que é uma coisa muito bárbara." Ouça.
A declaração de Dilma foi feita na manhã desta quarta-feira, em entrevista no Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Lula.
Ontem (2), a ONG Comitê Internacional contra o Apedrejamento disse ter recebido informações de que a iraniana seria executada na prisão de Tabriz, onde está detida. E na última segunda-feira (1º), outra ONG, baseada na Itália, já tinha adiantado que o processo de execução de Sakineh poderia ter sido acelerado pela Justiça iraniana.
Nesta quarta, no entanto, o Irã afirmou que Sakineh se encontra em perfeito estado de saúde e que o seu processo ainda não foi concluído. Já a ONG recuou e também disse que a iraniana não seria executada hoje.
O caso de Sakineh, de 43 anos, atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanha que mobilizou inúmeros governos e entidades humanitárias. Considerada culpada de adultério pela Justiça iraniana, ela foi condenada à morte por apedrejamento, mas a pena acabou sendo suspensa no início de setembro.
Entre os que tentaram intervir estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu a libertação de Sakineh e ofereceu-lhe asilo. Em resposta, o governo de Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o brasileiro estava "desinformado" sobre o caso.
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