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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Folha - Temer: ‘Vou aguardar sempre chamamento’ de Dilma

FOLHA (Blog do Josias)
04/11/2010

Temer: ‘Vou aguardar sempre chamamento’ de Dilma

Qual será seu estilo? ‘Vou cumprir a missão  constitucional’
Ação política? ‘Vai depender das solicitações da presidente’
E o Ministério?  ‘Tudo  depende da  vontade da  presidente?’
Deixará presidência do PMDB?  ‘Não sou  obrigado a  deixar’ 
Antônio Cruz/ABr

Dono de português esmerado, Michel Temer não é dado a declarações temerárias. Traz no lugar da língua uma fita métrica. Mede cada palmo de sua prosa. Eleito vice-presidente da República, injetou no discurso vocábulos que lhe deram a aparência de um político no condicional.

Em entrevista ao blog, soou peremptório apenas em relação a um ponto: empossado, vai “cumprir a missão constitucional”. Afora a certeza de substituir Dilma Rousseff “nas eventuais ausências temporárias” todo o resto são conjunções subordinativas que ligam Temer uma condição.

O novo vice condiciona os futuros gestos à vontade da titular. “Tudo dependerá muito da presidente”, disse Temer a certa altura. “Vou aguardar sempre um chamamento”, enfatizou noutro ponto. Apenas “se vier a ser acionado” por Dilma terá “uma presença política” no governo.

Articulador? “Vou depender muito das solicitações que a presidente me fizer”. Está no gabinete de transição, segundo disse, porque Dilma o acionou -como vice-presidente, não como mandachuva do PMDB.

Na sucessão de 2002, Temer acomodara o seu PMDB na coligação de José Serra, contra Lula. Fizera da deputada Rita Camata a vice do tucano. Perdeu. Decorridos oito anos, Temer ultrapassou as resistências de Lula e tornou-se vice de outra saia. Com Dilma, triunfou. Contra Serra.

Medido pelas palavras, será um vice mais discreto do que o outro lado da Lua. Pelos próximos quatro anos aguardará os “chamamentos” –da presidente ou do destino. Se não vierem, talvez seja compelido a aposentar a trena que esconde sob o céu da boca. Vai abaixo a entrevista:


- O Brasil já teve vices dados à crítica, como Itamar Franco, e vices como José Alencar, colaborativos. Que estilo terá o novo vice-presidente? Eu vou cumprir a missão constitucional. A Constituição diz que cabe ao vice-presidente substituir a presidente nas suas eventuais ausências temporárias.
- Imagina possa ter algum outro papel? Tudo dependerá muito da presidente. Ela pode eventualmente me chamar, como chamou agora, nessa fase de transição de um governo para o outro. Então, dependerá muito do que ela demande do vice-presidente.
- Imagina que Dilma Rousseff o acionará? Como minha relação com ela é muito boa, é possível que chame. Mas eu vou aguardar sempre um chamamento, como aguardei agora no caso da transição.
- O fato de presidir o PMDB pode levá-lo a ter um papel político mais ativo? Minha posição é mais política do que administrativa. Meu histórico, sem embargo de ter ocupado cargos executivos no Estado de São Paulo, é muito ligado à atividade política. Então, creio que minha presença, se vier a ser acionado por ela, será uma presença política.
- Pode auxiliar na articulação política do governo? Vou depender muito das solicitações que a presidente me fizer.
- Há diferenças entre o PMDB sob Lula e o PMDB da gestão Dilma? Teremos agora uma participação de absoluta colaboração. Pelo seguinte: o PMDB estará mais no novo governo do que esteve na presente gestão, já que tem a vice-presidência. Será uma relação de colaboração muito efetiva, sem nenhum titubeio.
- Depois de tomar café com a presidente, nesta quarta, o sr. disse que a composição do novo ministério será uma sequência do atual. Significa dizer que o PMDB terá as mesmas seis pastas que tem hoje? Num regime presidencialista, tudo depende da vontade da presidente. Mas, na conversa que mantive com o [José Eduardo] Dutra, disse a ele que o ideal, para não gerar atritos, seria manter o quadro atual. Isso permitiria uma certa tranquilidade nessa transição. Foi uma consideração que eu fiz e não sei se será levada adiante ou não.
- O presidente do PT fez alguma consideração em contrário? Em sentido contrário, não. Ele achou que seria razoável, mas que nós todos precisávamos meditar sobre isso. Trata-se de algo coletivo e, evidentemente, terá de ser levado depois à consideração da presidente.
- Nesta fase, sua participação na coordenação de transição pressupõe a participação nas conversas com dirigentes de outros partidos? Pressupõe uma conversa coletiva. Na verdade, estou na transição como vice-presidente, ajudando em toda essa articulação, para que não haja nenhum trauma político.
- No café da manhã com a presidente já se esboçou o modelo de funcionamento da vice-presidência? Não. Ela apenas me pediu que colaborasse muito com ela. E pediu a minha atenção, nesta fase, como vice-presidente. Eu, claro, concordei imediatamente.
- Que relação imagina que o novo governo terá com a oposição?No discurso da presidente, feito depois da eleição, ela fez considerações a respeito disso. Considerei extramamente apropriadas as palavras dela. Creio que a oposição poderá ter uma função também colaboradora. Não significa que deixará a sua função fiscalizadora. Creio que não será uma oposição radical, mas de compreensão quando os atos do governo forem benéficos.
- O sr. deixará a presidência do PMDB? Não sou obrigado a deixar. Naturalmente, vou ficar até janeiro e, depois, vou examinar. Legalmente, não sou obrigado a deixar a presidência do partido.
- Seu mandato no comando do PMDB termina quando? Em março de 2012.
- Cogita, então, permanecer? Pode ser que sim. Vai depender dessa avaliação que farei em janeiro.    

- Siga o blog no twitter.
Escrito por Josias de Souza às 06h05

Temer: ‘Vou aguardar sempre chamamento’ de Dilma

Qual será seu estilo? ‘Vou cumprir a missão  constitucional’
Ação política? ‘Vai depender das solicitações da presidente’
E o Ministério?  ‘Tudo  depende da  vontade da  presidente?’
Deixará presidência do PMDB?  ‘Não sou  obrigado a  deixar’ 
Antônio Cruz/ABr

Dono de português esmerado, Michel Temer não é dado a declarações temerárias. Traz no lugar da língua uma fita métrica. Mede cada palmo de sua prosa. Eleito vice-presidente da República, injetou no discurso vocábulos que lhe deram a aparência de um político no condicional.

Em entrevista ao blog, soou peremptório apenas em relação a um ponto: empossado, vai “cumprir a missão constitucional”. Afora a certeza de substituir Dilma Rousseff “nas eventuais ausências temporárias” todo o resto são conjunções subordinativas que ligam Temer uma condição.

O novo vice condiciona os futuros gestos à vontade da titular. “Tudo dependerá muito da presidente”, disse Temer a certa altura. “Vou aguardar sempre um chamamento”, enfatizou noutro ponto. Apenas “se vier a ser acionado” por Dilma terá “uma presença política” no governo.

Articulador? “Vou depender muito das solicitações que a presidente me fizer”. Está no gabinete de transição, segundo disse, porque Dilma o acionou -como vice-presidente, não como mandachuva do PMDB.

Na sucessão de 2002, Temer acomodara o seu PMDB na coligação de José Serra, contra Lula. Fizera da deputada Rita Camata a vice do tucano. Perdeu. Decorridos oito anos, Temer ultrapassou as resistências de Lula e tornou-se vice de outra saia. Com Dilma, triunfou. Contra Serra.

Medido pelas palavras, será um vice mais discreto do que o outro lado da Lua. Pelos próximos quatro anos aguardará os “chamamentos” –da presidente ou do destino. Se não vierem, talvez seja compelido a aposentar a trena que esconde sob o céu da boca. Vai abaixo a entrevista:


- O Brasil já teve vices dados à crítica, como Itamar Franco, e vices como José Alencar, colaborativos. Que estilo terá o novo vice-presidente? Eu vou cumprir a missão constitucional. A Constituição diz que cabe ao vice-presidente substituir a presidente nas suas eventuais ausências temporárias.
- Imagina possa ter algum outro papel? Tudo dependerá muito da presidente. Ela pode eventualmente me chamar, como chamou agora, nessa fase de transição de um governo para o outro. Então, dependerá muito do que ela demande do vice-presidente.
- Imagina que Dilma Rousseff o acionará? Como minha relação com ela é muito boa, é possível que chame. Mas eu vou aguardar sempre um chamamento, como aguardei agora no caso da transição.
- O fato de presidir o PMDB pode levá-lo a ter um papel político mais ativo? Minha posição é mais política do que administrativa. Meu histórico, sem embargo de ter ocupado cargos executivos no Estado de São Paulo, é muito ligado à atividade política. Então, creio que minha presença, se vier a ser acionado por ela, será uma presença política.
- Pode auxiliar na articulação política do governo? Vou depender muito das solicitações que a presidente me fizer.
- Há diferenças entre o PMDB sob Lula e o PMDB da gestão Dilma? Teremos agora uma participação de absoluta colaboração. Pelo seguinte: o PMDB estará mais no novo governo do que esteve na presente gestão, já que tem a vice-presidência. Será uma relação de colaboração muito efetiva, sem nenhum titubeio.
- Depois de tomar café com a presidente, nesta quarta, o sr. disse que a composição do novo ministério será uma sequência do atual. Significa dizer que o PMDB terá as mesmas seis pastas que tem hoje? Num regime presidencialista, tudo depende da vontade da presidente. Mas, na conversa que mantive com o [José Eduardo] Dutra, disse a ele que o ideal, para não gerar atritos, seria manter o quadro atual. Isso permitiria uma certa tranquilidade nessa transição. Foi uma consideração que eu fiz e não sei se será levada adiante ou não.
- O presidente do PT fez alguma consideração em contrário? Em sentido contrário, não. Ele achou que seria razoável, mas que nós todos precisávamos meditar sobre isso. Trata-se de algo coletivo e, evidentemente, terá de ser levado depois à consideração da presidente.
- Nesta fase, sua participação na coordenação de transição pressupõe a participação nas conversas com dirigentes de outros partidos? Pressupõe uma conversa coletiva. Na verdade, estou na transição como vice-presidente, ajudando em toda essa articulação, para que não haja nenhum trauma político.
- No café da manhã com a presidente já se esboçou o modelo de funcionamento da vice-presidência? Não. Ela apenas me pediu que colaborasse muito com ela. E pediu a minha atenção, nesta fase, como vice-presidente. Eu, claro, concordei imediatamente.
- Que relação imagina que o novo governo terá com a oposição?No discurso da presidente, feito depois da eleição, ela fez considerações a respeito disso. Considerei extramamente apropriadas as palavras dela. Creio que a oposição poderá ter uma função também colaboradora. Não significa que deixará a sua função fiscalizadora. Creio que não será uma oposição radical, mas de compreensão quando os atos do governo forem benéficos.
- O sr. deixará a presidência do PMDB? Não sou obrigado a deixar. Naturalmente, vou ficar até janeiro e, depois, vou examinar. Legalmente, não sou obrigado a deixar a presidência do partido.
- Seu mandato no comando do PMDB termina quando? Em março de 2012.
- Cogita, então, permanecer? Pode ser que sim. Vai depender dessa avaliação que farei em janeiro.    

ESTADÃO - Lula diz que agora todo poder é de Dilma

Tânia Monteiro, Leonencio Nossa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo - 04/11/2010


Para tentar enterrar as especulações - dentro e fora do País - sobre o real poder de sua sucessora, Dilma Rousseff, e o quanto sua própria popularidade e liderança podem atrapalhar o futuro governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou ontem uma entrevista coletiva conjunta com a eleita para dizer que, a partir de 1° de janeiro, "rei morto, rei posto". "Ex-presidente", acrescentou, "nem indica nem veta."

Andre Dusek/AE
Sem volta. Lula afirmou que, pelo reconhecimento que conquistou, seria 'uma temeridade' tentar ser candidato em 2014



Ao todo, Dilma e Lula falaram durante uma hora com a imprensa. Ambos defenderam a volta de uma contribuição para financiar a saúde - a tentativa de ressuscitar a extinta CPMF já conta com a mobilização de governadores eleitos por partidos aliados. O presidente e sua sucessora falaram também da guerra cambial e da participação na reunião do G-20, em Seul, da indicação do novo ministro para o Supremo Tribunal Federal, de política externa e de direitos humanos. 

Veja também:

Dilma Rousseff promete unidade com o PMDB

Vice-presidente eleito se reúne com Dilma para tratar do novo governo

Dilma age para acalmar PMDB e Temer vira coordenador da transição



Para reforçar a disposição de que não vai interferir no futuro governo, que "tem de ter a cara de Dilma" e ser "à semelhança de Dilma", Lula sinalizou também que não vai disputar a eleição de 2014. "Chegar ao final do mandato como o reconhecimento popular que tem o governo e com a aprovação pessoal minha, voltar é uma temeridade porque a expectativa gerada é infinitamente maior." De acordo com as pesquisas de opinião, o presidente tem 80% de aprovação.

A entrevista de Lula, concedida ao lado de Dilma, no segundo andar do Palácio do Planalto, foi convocada minutos antes de seu início. O presidente deixou claro que o propósito era passar um recado político, dizer "algumas coisas", uma vez que ele ainda "não tinha falado depois das eleições". Repetiu em 15 oportunidades, de maneira direta e indireta, que a formação do próximo governo, os nomes a escolher e as políticas públicas são de inteira responsabilidade de Dilma. "Ela é a presidente da República e agora é preparar o time para entrar em campo", disse.

"Samba maluco". Na meia hora em participou da entrevista, Lula chamou de "samba maluco e alucinante" o noticiário sobre as negociações em torno dos nomes que podem ir para o ministério. "Já vi governo montado (pela imprensa), já vi governo destituído, já vi cargo indicado para tudo quanto é lado."

Dizendo que tem a "exata noção da sensação da montagem de um governo", Lula acrescentou: "Você se levanta pela manhã, vê um jornal, está a fotografia de uma pessoa que você nunca pensou em colocar no governo, mas está lá como escolhida; ou uma pessoa que você quer colocar, que está lá, destituída."

Virando-se para Dilma, ditou: "Somente ela pode dizer quem ela quer e quem ela não quer (no governo)." Por isso é que não daria palpites, disse, admitindo que "poderá dar algum conselho se, um dia, for pedido; se for para ajudar; para atrapalhar, nunca".

Apesar do discurso de ontem, o Estado apurou com assessores que Dilma e Lula vão aproveitar a longa viagem para Seul, na próxima semana, para discutir a aliança de sustentação do futuro governo e nomes para compor o ministério. Ainda assim, usando as tradicionais metáforas futebolísticas, Lula acrescentou: "A bola está com a senhora, dona Dilma, monte seu time que eu estarei na arquibancada de camisa uniformizada, sem corneta, batendo palma, e nunca vaiando, sempre batendo palma."

Corintiano, Lula usou o time para mais uma analogia. "Quem sou eu? Nem o Mano Menezes, quando foi convocado para a seleção, pediu para o técnico do Corinthians manter os jogadores que ele mantinha. Como é que eu vou pedir? A Dilma, ela tem de montar o time dela. Ela é, agora, a pessoa que vai ser o técnico titular desta seleção. Então, ela vai escolher quem ela quiser, para a posição que ela quiser."

Gosto pelo poder. Lula negou ainda que suas demonstrações de apego ao poder nos últimos dias representem desejo de permanecer no governo. "Não estou saudoso coisíssima nenhuma. Quando eu entrei aqui eu sabia que tinha data para entrar e data para sair. Portanto, é igual contrato de aluguel. Eu, dia 31 (de dezembro), tenho de dar o fora." 


PROMESSAS DA DILMA (3) - Dilma diz que salário mínimo deve superar os R$ 600 em 2011


Presidente eleita disse que áreas de educação e saúde terão prioridade.
Ele disse não pretender recriar CPMF, mas negociará com governadores.


Nathalia Passarinho e Alexandro Martello

Do G1, em Brasília
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A presidente eleita Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (3), durante entrevista no Palácio do Planalto, que o salário minimo deve ter um aumento no ano que vem. "O salário mínimo deve estar acima de R$ 600 no fim de 2011", afirmou.

Ela concedeu entrevista depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a recebeu no Planalto e se manifestou pela primeira vez após o anúncio do resultado da eleição, no último domingo.

Dilma defendeu o critério atual de reajuste do salário mínimo, baseado na inflação e no crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB), mas afirmou que pode estudar meios de compensar o pequeno reajuste do mínimo em 2011 em decorrência do baixo crescimento da economia em 2009.
saiba mais
Lula afirma que não indicará nomes para o governo de Dilma
Composição de ministérios ainda não foi tratada com Dilma, diz Temer

"No salário mínimo, temos um critério que considero muito bom, baseado na inflação e no PIB. Temos o problema que o PIB de 2009 se aproxima do zero, até um pouco menos de zero. O Brasil teve uma recuperação muito forte. Então, estamos avaliando se é possível fazer essa compensação", afirmou.

No entanto, segundo ela, a expectativa de alto crescimento do PIB em 2010 garante que no final de 2011 e inicio de 2012 o mínimo ultrapasse R$ 600.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também defendeu o critério atual de reajuste e criticou a proposta do ex-candidato do PSDB à Presidência José Serra de elevar o salário mínimo para R$ 600 já no início do ano que vem. "O povo não é mais massa de manobra. O povo sabe o que é política séria e o que é promessa. A Dilma se elegeu sem precisar fazer promessa fácil", disse.

Sem especificar valores, Dilma também afirmou que vai reajustar o bolsa-família, programa do governo federal que prevê ajuda de custo mensal a famílias de baixa renda. "No meu período de governo, eu vou buscar 100% de cobertura e um nível maior de benefício, proporcional ao que é possível que o país dê para este conjunto de famílias. Eu não sei hoje dizer para vocês qual é esse reajuste, mas que terá reajuste eu asseguro a vocês que terá."
Eu tenho muita preocupação com a criação de impostos. Preferia outros mecanismos, mas tenho visto uma pressão dos governadores, não posso fingir que não existe. [...] Não pretendo reenviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas isso será objeto de negociação com os governadores"
Dilma Rousseff

CPMF
A presidente eleita disse ainda que terá as áreas de saúde e educação como prioridade no seu governo.

Segundo ela, há "uma pressão" de governadores para que seja compensado o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - originariamente destinada ao financiamento da saúde - e disse que está disposta a negociar com eles. Mas, afirmou que não pretende tomar a iniciativa de enviar uma proposta de novo tributo para o Congresso Nacional.

“Eu tenho muita preocupação com a criação de impostos. Preferia outros mecanismos, mas tenho visto uma pressão dos governadores, não posso fingir que não existe. [...] Não pretendo reenviar ao Congresso a recomposição da CPMF, mas isso será objeto de negociação com os governadores”, declarou.

Composição do governo
Sobre a composição do novo governo, Dilma disse que ainda "não está madura" a discussão sobre a escolha dos ministros.

Questionada se manteria alguns nomes que atuaram no governo Lula, ela afirmou que pretende dar continuidade aos projetos existentes, mas que isso não se reflete, necessariamente, na "continuidade de pessoas".

"Não estou falando agora de continuidade de pessoas nos ministérios. Ainda não está madura a discussão sobre a seleção dos ministros. Vou exigir competência técnica e histórico de pessoas que não tenham problema de nenhuma ordem. Também considero importante o critério político", disse.

Ela afirmou que o PMDB não está fazendo pressão para ocupar cargos importantes e disse que a distribuição dos ministérios não funcionará como "partilha".

"Tenho conversado muito com o vice Michel Temer e temos criado uma convicção de que esse governo não se pautará numa partilha. Deve ter um problema de comunicação comigo, porque o PMDB nunca chegou para mim pedindo cargo. Estou participando desse processo sem conflito", disse.

A presidente eleita afirmou ainda que não vai admitir que ministros façam "sombra" a ela e ao governo.

"Quando há o sol bem violento que atinge a cidade, sou a favor de sombra. Mas quanto às demais sombras, não acho que seja compatível. Acho que os ministros têm que ser competentes e não sombras."
Não compactuo com ilegalidade nem com invasão de prédios públicose de propriedades devidamente administradas"
Dilma Rousseff

MST
Sobre o MST, Dilma disse que é favor do díalogo com o movimentos sociais, mas que não admitirá "ilegalidades e invasões". Ela defendeu que os assentados tenham condições para gerar renda e afirmou que há terras suficientes no país para concluir a reforma agrária sem violência.

"No que se refere ao MST, sempre me neguei a tratar o MST como caso de polícia. Agora, não compactuo com ilegalidade nem com invasão de prédios públicos e de propriedades devidamente administradas", disse.

Política externa
A presidente eleita também falou sobre os rumos que a política externa deve tomar no próximo governo. Ela disse que vai dialogar "em paz" como todos os países, inclusive com o Irã.

"O diálogo continua com todos os países, não só com Teerã. Não temos uma política de agressão e violência. Quem quiser dialogar conosco na paz, nós vamos dialogar."

No entanto, Dilma disse que será "intransigente" com o desrespeito aos direitos humanos e irá manifestar o desacordo através da diplomacia.

"Tenho uma postura bastante intransigente em relação aos direitos humanos e ela se reflete no plano da diplomacia numa manifestação de defesa dos direitos humanos. Essa manifestação não é necessariamente estrondosa. Às vezes é preciso negociar", afirmou.

Ela disse ainda considerar uma "barbaridade" a condenação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtianti à morte por apedrejamento. Sakineh é acusada de ter cometido adultério e de participar do assassinato do marido.

"Não tenho status oficial, mas externo a vocês a minha posição que acho bárbaro o apedrejamento da Sakineh."

Guerra cambial
Dilma disse que não irá mais a Moçambique, na África, com o presidente Lula, como foi anunciado nesta semana, porque fará na próxima segunda (8) uma reunião com a equipe de transição de governo.

A presidente confirmou, contudo, que vai participar ao lado de Lula das reuniões do G-20, em Seul, capital da Coréia do Sul. A cúpula do G-20 tem início na próxima quarta (10).

A presidente eleita vai tirar quatro dias de folga para descansar, desta quarta até o domingo. Ela não quis revelar o local. "Vocês acham mesmo que eu iria contar para vocês? Não quero abrir a porta e dar de cara com centenas de câmeras e fotógrafos", brincou.
Todos os países e não só a China e os Estados Unidos percebem que há uma guerra cambial. E numa situação dessas não há solução individual"
Dilma Rousseff

No encontro do G-20, presidentes de 20 nações devem discutir meios de aplacar o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou de "guerra cambial". O Brasil já tomou medidas para conter a desvalorização do dólar, como o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimento estrangeiro em renda fixa.

Segundo Dilma, o problema de câmbio é internacional e deve ser resolvido em conjunto com os demais países. "Todos os países e não só a China e os Estados Unidos percebem que há uma guerra cambial. E numa situação dessas não há solução individual."

Superávit primário
Dilma afirmou que prevê uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% para o ano que vem, valor que está em linha com as estimativas do mercado financeiro. Em 2010, segundo analistas, a taxa de expansão do PIB deverá ultrapassar 7,5%.

Entretanto, acrescentou que essa previsão inicial para o crescimento do PIB em 2011, de 4,5%, poderá ser superada, com a expansão econômica chegando a 5% ou 5,5%.

"Pode chegar a 5% ou 5,5% [de crescimento econômico em 2011]. Não estamos trabalhando com 7% ou 8% [de expansão]", disse ela. A previsão de um crescimento econômico de 5,5% já consta na proposta de orçamento enviada pelo Executivo ao Congresso Nacional neste ano.

A presidente eleita afirmou também que está mantida, para 2011, a meta de superávit primário, (economia feita para pagar juros da dívida pública), de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Com isso, afirmou ela, a relação dívida líquida com o PIB, indicador acompanhado com atenção por investidores internacionais, deverá recuar dos atuais 41% (patamar de setembro) para 38% do PIB no fechamento de 2011.

"Se o PIB cresce mais, como ele é o denominador da equação, a relação dívida líquida cai mais", explicou ela. Segundo ela, o governo não enviará ao Congresso Nacional uma proposta para retomar a CPMF.

Dilma Rousseff afirmou ainda que estima um Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de 4,5% para o próximo ano, ou seja, em linha com a meta de inflação já determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano que vem.

Para atingir a meta pré-determinada, o Banco Central calibra o patamar da taxa de juros, atualmente em 10,75% ao ano, o que representa juros reais de 5,3% ao ano - os maiores do mundo. A presidente eleita afirmou que uma taxa de juros real mais "consistente" estaria em torno de 2% ao ano.

Trem-bala e Nordeste
A presidente eleita disse, em relação ao desenvolvimento do Nordeste, ter "um compromisso" com a região e afirmou que pretende levar adiante o projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio. "É um absurdo achar que o trem-bala não precisa ser feito", declarou.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilma diz que execução de iraniana Sakineh é "uma barbaridade"

folha 03/11/2010

A presidente eleita Dilma Rousseff classificou como "uma coisa muito bárbara" a execução da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani. A declaração da petista se soma ao apelo do governo brasileiro em favor da clemência.

"Eu sou radicalmente contra o apedrejamento", disse Dilma, após ser questionada por repórteres. Ela acrescentou que comentaria o caso mesmo não tendo ainda tomado posse. "Entendo que é uma coisa muito bárbara." Ouça.



A declaração de Dilma foi feita na manhã desta quarta-feira, em entrevista no Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Lula.

Ontem (2), a ONG Comitê Internacional contra o Apedrejamento disse ter recebido informações de que a iraniana seria executada na prisão de Tabriz, onde está detida. E na última segunda-feira (1º), outra ONG, baseada na Itália, já tinha adiantado que o processo de execução de Sakineh poderia ter sido acelerado pela Justiça iraniana.

Nesta quarta, no entanto, o Irã afirmou que Sakineh se encontra em perfeito estado de saúde e que o seu processo ainda não foi concluído. Já a ONG recuou e também disse que a iraniana não seria executada hoje.

O caso de Sakineh, de 43 anos, atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanha que mobilizou inúmeros governos e entidades humanitárias. Considerada culpada de adultério pela Justiça iraniana, ela foi condenada à morte por apedrejamento, mas a pena acabou sendo suspensa no início de setembro.

Entre os que tentaram intervir estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu a libertação de Sakineh e ofereceu-lhe asilo. Em resposta, o governo de Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o brasileiro estava "desinformado" sobre o caso.

CORTINA DE FUMAÇA - Lula e Dilma acusam EUA e China de promover guerra cambial

FOLHA 03/11/2010

SIMONE IGLESIAS
MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA

Ao lado de sua sucessora Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou na manhã desta quarta-feira os Estados Unidos e a China de promoverem uma "guerra cambial" para proteger suas economias, dando eco às declarações da presidente eleita, que já no discurso de domingo afirmara que tomaria medidas para proteger as empresas brasileiras.

Lula disse que vai "brigar" contra isso na reunião do G-20, que acontecerá em Seul, na próxima semana. Dilma também viajará para a Coreia.

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Ao comentar o assunto, a presidente eleita afirmou que "todos os países que não são China e Estados Unidos percebem que há uma guerra cambial".

Ela atribuiu a guerra cambial a uma política para dar mais competitividade a países em um cenário de crise internacional. E disse que "a última vez que uma desvalorização [de moeda] competitiva aconteceu, deu no que deu, a Segunda Guerra Mundial".

SALÁRIO MÍNIMO

Lula sinalizou que deixará a decisão sobre o reajuste real do salário mínimo nas mãos de Dilma.

Segundo o presidente, se quiser, ela pode antecipar o reajuste que só estava previsto para 2012. Mesmo que haja um aumento maior do que anos anteriores, Lula descartou que o mínimo suba de R$ 510 para R$ 600, como havia prometido José Serra (PSDB).
Evaristo Sá/AFP

Lula nega medidas impopulares no final de seu governo


Em sua fala, Dilma disse que na volta da viagem a Coreia do Sul vai estudar com sua equipe a possível compensação, em 2011, do reajuste previsto para 2012.

Dilma prevê salário mínimo acima de R$ 700 para 2014; ouça trechos da entrevista

Pelas regras atuais, o mínimo não terá reajuste real em 2011, indo de R$ 510 para R$ 538,15. Mas em 2012, o aumento real superaria 7%, previsão do crescimento da economia em 2010.

GOVERNO DILMA

Lula afirmou que a petista montará o governo "com a cara dela" e negou que tenha pedido a permanência de ministros na nova equipe. "A continuidade é da política, não das pessoas", afirmou ele, acrescentando: "Rei morto, rei posto".

O presidente disse ainda que vai dar uma lição de como ex-presidentes devem se comportar, afirmando que vai assistir a atuação de Dilma da arquibancada, uniformizado e "sem corneta".

Na fala com os repórteres, Lula afirmou ainda que a eleição de Dilma representa a vitória "dos que perderam em 1968". Ironizando o candidato derrotado José Serra (PSDB), ele demonstrou reticência em se candidatar à Presidência em 2014, afirmando que Dilma tem a preferência. Segundo ele, é muito "pequeno" discutir 2014 agora.

"Senão vai chover bolinhas de papel em nossa cabeça", declarou, em referência à agressão sofrida por Serra durante a campanha.

Lula apelou ainda para que a oposição não faça com Dilma o que teria feito com ele. "A política da vingança, de trabalhar para não dar certo."

SURPRESA

O presidente preparou uma surpresa para sua sucessora no Palácio do Planalto, segundo informações de assessores. A surpresa não estava prevista na agenda oficial do presidente. Ela foi incluída na manhã de hoje.

Além do compromisso com a presidente eleita, Lula tem despachos internos e reuniões com Carlos Eduardo Esteves Lima, ministro interino da Casa Civil; Nelson Jobim, ministro da Defesa; Guido Mantega, ministro da Fazenda; Henrique Meirelles, presidente do Banco Central; Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores; e José Artur Filardi Leite, ministro das Comunicações.

À tarde, Dilma viaja para tirar alguns dias de descanso. A assessoria não confirmou o destino da presidente. Apesar de ela mesma ter dito na segunda-feira que seu destino é "segredo de Estado", é possível que a petista passe o período em Porto Alegre, ao lado da filha Paula e do neto Gabriel.

ÁFRICA E ÁSIA

Após os dias de descanso, Dilma viaja, ao lado de Lula, para viagens à África e à Ásia.

No sábado (6), Lula e Dilma viajam para Moçambique. Em Maputo, capital do país, será inaugurada uma fábrica de medicamentos. Depois da África, ambos participam das reuniões do G20 (o grupo das 20 maiores economias do mundo) em Seul, na Coreia do Sul, onde Lula vai apresentá-la à comunidade internacional.

APOSENTADOS E PENSIONISTAS - INSS pode adotar novo cálculo das aposentadorias

O Dia - 03/11/2010
Em entrevista a leitores de O DIA e em reunião promovida por senador gaúcho, presidenta afirmou que vai negociar alteração



Brasília - A presidenta eleita Dilma Rousseff admite mudar o atual cálculo das aposentadorias do INSS. Segundo ela, a proposta vem sendo discutida pelo governo (do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) junto com as centrais sindicais e é preciso apenas aguardar os debates que ocorrerão no Congresso Nacional sobre o projeto, que tem como relator, na Câmara, o deputado Pepe Vargas (PT-RS).

“A Dilma se comprometeu, sendo fiel ao que ela disse, a ouvir todas as centrais, as confederações de aposentados e os parlamentares que são contra o retrocesso na Previdência. Ela quer chegar a uma proposta de consenso. E nós queremos o fim do fator previdenciário”, diz o senador Paulo Paim (PT-RS), reeleito por 3,8 milhões de eleitores e que usou o argumento para pedir votos para presidenta na reta final da campanha.

De acordo com o senador, Dilma admitiu aceitar o fim do fator se ele for aprovado no Congresso ao participar de reunião organizada por ele com sindicatos de aposentados. “Não tenho medo nenhum de enfrentar o debate da Previdência, redefinir receitas e provar que não há déficit”, afirmou Paim.

O fim do fator previdenciário virou bandeira dos aposentados e foi cobrado por eles durante a campanha presidencial. Em resposta a questionamento feito por leitores de O DIA, publicada há uma semana, Dilma demonstrou disposição de acompanhar a discussão das propostas alternativas ao fator. A ideia já fora vetada anteriormente pelo presidente Lula e faz parte do projeto de lei de 2008 que aguarda relatório na Câmara.

O projeto de lei propõe um critério alternativo para a concessão das aposentadorias, como a fórmula 85/95. Esse novo fator prevê a concessão do benefício segundo a soma da idade e do tempo de contribuição para mulheres (85) e homens (95). Um homem com 35 anos de contribuição receberia aposentadoria integral a partir dos 60 anos de idade. 

O projeto tem grandes chances de ser aprovado no Congresso em função do consenso que se criou entre parlamentares de que o fator — criado no governo tucano Fernando Henrique Cardoso — é injusto com quem começou a trabalhar cedo e poderia se aposentar com menos idade. Isso porque o fator leva em consideração a expectativa de vida do brasileiro, que cresce a cada ano. 

A complexa equação prevê que trabalhador com menos idade em condições de se aposentar receberá o benefício por mais tempo e por isso deve sofrer um redutor na aposentadoria para conter os gastos públicos. Esse mecanismo é, porém, contestado na Justiça por prejudicar homens e mulheres, conforme vem pontuando a coluna do Aposentado, publicada aos domingos em O DIA. 

‘Não precisamos de uma grande reforma na Previdência Social’

Na entrevista aos leitores de O DIA, a presidenta destacou também promover nova reforma da Previdência Social, apesar dos rumores segundo os quais estaria em estudo no governo uma fórmula para reduzir o valor das pensões pagas a viúvas. “Não precisamos de uma grande reforma na Previdência Social. Se necessário, poderão ser realizados ajustes pontuais, para adaptar a estrutura de aposentadorias e pensões às novas realidades da economia e da sociedade”, disse. 

A presidenta também se comprometeu a manter a política do governo Lula de cumprir, sem ações protelatórias, as decisões relativas a medidas ilegais adotadas contra os aposentados. “Desde o início do governo Lula, têm sido pagos em média R$ 7 bilhões por ano em precatórios para aposentados e pensionistas. Todos esses pagamentos devem seguir orientação do TCU, órgão fiscalizador das ações do governo federal. Quando houver controvérsias ou dúvidas quanto à clareza das sentenças, as instâncias judiciais devem ser acionadas”, disse. 

Disposição de discutir com aposentados e pensionistas

A presidenta também demonstra disposição de negociar reivindicações de aposentados e pensionistas diretamente com as lideranças da categoria, hoje reunida em sindicatos e confederações. “ Nosso governo (Lula) dialogou, e muito, com os aposentados. Fizemos inúmeros encontros e reuniões para discutir as reivindicações”, disse Dilma Rousseff na entrevista a leitores publicada na íntegra na edição do último dia 24. 

“Darei continuidade a esse diálogo com as entidades representativas dos aposentados e pensionistas para avançarmos ainda mais na construção de políticas justas para esta parcela da população brasileira”, disse.

Na justiça

BRECHAS 
Como o Supremo Tribunal Federal deu aval, em 1999, ao uso do fator como redutor das aposentadorias para manter o equilíbrio atuarial no INSS, especialistas em todo o País começaram a estudar brechas para afastar o uso da fórmula em ações isoladas na Justiça. 

GÊNERO
Entre essas ações está a que contesta distorções que prejudicam especialmente a mulher por não considerar que o tempo de contribuição delas para o INSS é menor. Já os homens perdem com a adoção da expectativa de vida única. Como vivem menos, têm contagem de sobrevida maior, o que reduz o benefício.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

MATÉRIAS - Dilma promete negociar reajuste do salário mínimo com centrais sindicais

folha 02/11/2010

A presidente eleita Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta terça-feira que irá negociar com as centrais sindicais a proposta de reajuste do salário mínimo do ano que vem.

"Nós vamos de maneira sistemática valorizar o salário mínimo", afirmou a petista em entrevista ao "Jornal do SBT".



Ela também disse que quer discutir o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma afirmou que pretende manter a fórmula de reajuste que considera a inflação do ano anterior àquele em que é dado o aumento e o valor do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores.

"Como o PIB do ano passado foi zero, a inflação seria o único aumento. Estamos discutindo com as centrais um aumento maior que esse", disse Dilma, sem citar o fato de que este ano o crescimento do PIB será alto, o que irá impactar no reajuste de 2012.

Ela voltou a dizer que pretende ser a presidente de "todos os brasileiros" e conversar com a oposição.

"Eu farei todo o esforço no sentido de reunir o Brasil todo no crescimento do país", disse.

A presidente eleita sugeriu que pode ser candidata à reeleição. "A praxe é essa. Eu acho que essa praxe que o presidente eleito tem direito à reeleição. Não é cabível discutir isso agora."

Dilma disse que terá todo cuidado no preenchimento de cargos ao combinar "capacidade técnica e liderança jurídica".

Sobre a questão agrária, ela disse que irá tratar a questão com equilíbrio.

"Nós vamos resolver pela questão social", disse.

AMIGOS DA DILMA - Sarkozy é o primeiro a parabenizar Dilma, e Chávez dá boas-vindas "ao clube"

Do UOL Eleições 
Em São Paulo




Confirmada a vitória da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, líderes mundiais começaram a enviar seus parabéns a petista.

MAIS ELEIÇÕES
Jornais internacionais destacam a vitória de Dilma nas urnas 

O primeiro a fazer foi o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que menifestou suas “cálidas felicitações” a Dilma, em um comunicado emitido pelo Eliseu logo após a divulgação dos resultados oficiais.

Para Sarkozy, a eleição de Dilma reflete o "reconhecimento do povo brasileiro pelo considerável trabalho feito pelo presidente Lula para fazer do Brasil um país moderno e mais justo".

O presidente francês afirmou ainda que "França e Brasil compartilham os mesmos valores e uma visão comum do mundo".
Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, expressou sua satisfação pela vitória Dilma Rousseff dando-lhe as boas-vindas "ao clube" e afirmando que ela se tornará "uma gigante".

"Vou mandar este beijo para a minha querida Dilma", disse Chávez, ao encerrar a transmissão de seu programa dominical “Alô, Presidente”.

Infográfico

Mosaico de fotos mostram momentos da vida política

"Você veio de longe, companheira, eu te conheço. Sabemos de onde você vem, das batalhas pelo Brasil, das batalhas duras. Uma mulher de grande índole, uma mulher patriota", continuou Chávez.
Argentina

Em nota, o governo argentino, liderado por Cristina Kirchner, declarou que o triunfo de Dilma "decreta a continuidade das políticas que vêm sendo desenvolvidas tanto no Mercosul como na Unasul para o bem-estar de nossos povos e de toda a comunidade latino-americana".

O chanceler argentino, Héctor Timerman, disse através de sua página na rede social Twitter que entrou em contato com o assessor para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, para falar sobre a vitória de Dilma.

"Da tristeza da quarta-feira à alegria do domingo", afirmou o chanceler argentino, lembrando o falecimento do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner.
Portugal

O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, felicitou Dilma e se mostrou seguro de que seu mandato constituirá "uma renovada oportunidade" para aprofundar as relações bilaterais.

Em mensagem, Cavaco transmite as "mais efusivas felicitações" em seu nome e em nome do povo português, e deseja à governante recém eleita "o maior sucesso" no exercício de suas funções.
Espanha

O primeiro ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou telegrama à Dilma parabenizando-a pela vitória nas eleições e se comprometendo a seguir trabalhando para que relação bilateral entre Brasil e Espanha continue "magnífica".
El Salvador

O presidente de El Salvador, Mauricio Funes, expressou sua "alegria" pelo triunfo de Dilma e parabenizou o povo brasileiro por "uma nova mostra de maturidade democrática".

"Em meu nome da primeira-dama da República, minha querida esposa Vanda, e o do meu filho Gabriel, que é também cidadão brasileiro, assim como em nome do povo e do governo de El Salvador, envio nossas felicitações e mostras de afeto", diz Funes em nota oficial.

AMIGOS DA DILMA - Em carta, presidente do Paraguai parabeniza Dilma pela vitória nas urnas

Redação SRZD | Eleições 2010 | 02/11/2010 19h01
Foto: MontagemO presidente do Paraguai, Fernando Lugo, enviou nesta terça-feira uma carta à presidente eleita Dilma Rousseff (PT) para parabenizá-la pelo "triunfo" e para reafirmar os laços entre os países vizinhos.
Na carta, em nome do governo, Lugo parabeniza a petista pela vitória no último domingo.
Lugo também deseja que, sob a condução de Dilma Rousseff "a população brasileira continue seguindo pelo caminho do desenvolvimento e do bem-estar social". 

Coordenação de transição será feita por Temer, Dutra, Cardozo e Palocci

02/11/2010 14h59 - Atualizado em 02/11/2010 16h06

Fábio TitoDo G1, em Brasília
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A coordenação política da equipe de transição do governo de Dilma Rousseff ficará a cargo do vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB), do presidente do PT, José Eduardo Dutra, e dos deputados federais Antonio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP), informou nota divulgada nesta terça-feira (2) pela assessoria da presidente eleita.

Dutra, Palocci e Cardozo atuaram na coordenação da campanha de Dilma. Ao lado de Temer, vão comandar uma equipe de até 50 pessoas durante a transição.

Segundo José Eduardo Dutra, será encaminhada para a Casa Civil uma lista inicial com 30 nomes, todos "eminentemente técnicos", para integrar a equipe de transição. Não foram divulgados os nomes da lista.

Dutra afirmou que o trabalho de coordenação não vai definir a composição de governo.
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"Esse é um trabalho técnico, que naturalmente tem uma supervisão política formada por essas pessoas. A questão da composição de governo está sendo feita através de conversas minhas com os diversos partidos, e que depois quem irá definir essa questão será a presidente da República", declarou.

Sobre a relação com Temer, o petista foi perguntado se o vice de Dilma terá papel inferior ao dele. "O Michel Temer é o vice-presidente eleito. Na verdade, se há alguma subordinação aí, é minha a ele", disse.

O presidente do PT afirmou que vai conversar com representantes de todos os partidos da base aliada para recolher sugestões sobre a composição e as diretrizes para o próximo governo. O primeiro partido a ser ouvido é o PMDB. Na noite desta terça (2), está programado um jantar entre Dutra, Michel Temer e líderes do PMDB, na casa do vice-presidente eleito.

"Hoje começa a conversa do ponto de vista que, ao escutar os diversos partidos, vamos saber como eles estão vendo essa composição. A minha intenção é que até a volta da presidente Dilma da viagem que ela vai fazer na semana que vem com o presidente eu já tenha conversado com todos os partidos", disse.

Dutra afirmou que Dilma não irá ao jantar. Segundo ele, a presidente eleita viaja nesta quarta (3) pela manhã e só deve retornar a Brasília no domingo (7). O petista não disse qual será o destino de Dilma. "Eu não sei. Não perguntei, até porque, caso vocês descubram, eu não quero ser suspeito de ter vazado", brincou.

José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, também falou à imprensa ao sair, e comentou a participação do PMDB e de Michel Temer na transição.

"O PMDB é um partido parceiro, e o vice-presidente estará conosco permanentemente desenvolvendo os trabalhos", declarou.

Antonio Palocci não deu declarações ao sair da reunião.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela assessoria de imprensa da presidente eleita:

"NOTA

A presidenta eleita Dilma Rousseff encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em atendimento à legislação em vigor, a relação de nomes que deverão integrar a equipe técnica de transição. Na oportunidade, esclarece que a coordenação política dessa equipe será feita pelo Vice-Presidente eleito Michel Temer, pelo coordenador geral da campanha José Eduardo Dutra, e pelos Deputados Federais Antônio Palocci e José Eduardo Cardozo.

De acordo com o determinado pelo presidente Lula, os trabalhos da equipe técnica de transição serão realizados a partir do dia 8 de novembro.

Brasília, 02 de novembro de 2010

ASSESSORIA DE IMPRENSA DA PRESIDENTA ELEITA
DILMA ROUSSEFF"

Vizinho de Dilma abriga jornalistas que acompanham a presidente




LUCIANA COBUCCIDireto de Brasília


Acostumados a longas horas em frente à porta de autoridades à espera de informações sem água, comida ou até mesmo um banheiro, os jornalistas que acompanham o dia-a-dia na nova presidente tiveram uma grata surpresa desde a última segunda-feira (1). Vizinho de Dilma Rousseff, o administrador aposentado Robério Simionato (que não gosta de falar a idade) adaptou sua garagem para abrigar os jornalistas.

Seu Robério, como é chamado, é o síndico da rua onde Dilma mora desde abril, no Lago Sul, área nobre de Brasília. Ao perceber que os jornalistas não dariam sossego durante todo o dia, seu Robério decidiu abrir sua garagem e oferecer água gelada, um banheiro, tomadas para os notebooks e abrigo para a chuva, que insiste em cair em Brasília neste feriado de Finados. O aposentado, amante da cultura italiana, disse que votou em Dilma. "Mas não sou militante", frisou.

Na segunda-feira, primeiro dia após a eleição, seu Robério abriu as portas e pediu que os jornalistas não tivessem cerimônia: "podem usar o banheiro, as tomadas, fiquem à vontade", disse. Arrumou mesas, cadeiras e até uma extensão para as tomadas. Uma das assessoras da nova presidente foi agradecê-lo pela hospitalidade, e ele respondeu: "se eu não providenciar isso, não vou ter o que assistir pela TV, não vou ter notícias".

Tímido, seu Robério não gosta de dar entrevistas. Mas não tem problema em puxar papo com todo mundo que aparece. Conta histórias, comenta sobre política e tira risadas de todo mundo. Ao que parece, seu Robério é que é o vizinho ilustre da rua. Ele já deu entrevistas para emissoras de TV - a contragosto, é verdade, mas acabou sendo convencido pela lábia dos jornalistas.

Os vizinhos aparecem para cumprimentá-lo. "Seu Robério, ouvi pela rádio agora que o senhor vai oferecer um almoço", disse Fernando, também morador da rua. "É, buchada de bode", brinca seu Robério.

Seu Robério garante que os jornalistas não estão dando trabalho. "Absolutamente, estou aprendendo muito com eles. E fico sabendo de tudo antes com eles aqui na minha garagem. O Brasil depende deles", afirmou. Os jornalistas já articulam um lobby para que Dilma nomeie seu Robério para algum ministério.



»Redação Terra 02/11/2010

Lula quer Jobim e Haddad no governo Dilma

folha 02/11/2010

Além de sugerir a permanência de Guido Mantega (Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central) no futuro governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu à presidente eleita Dilma Rousseff que mantenha nos cargos os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Fernando Haddad (Educação), informa reportagem de Valdo CruzEliane CantanhêdeAna Flor,Márcio FalcãoRanier Bragon e Natuza Nery publicada nesta terça-feira pela Folha(íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a Folha apurou, no caso de Meirelles e Mantega foi um conselho de Lula para emitir sinais de estabilidade ao mercado.
No de Jobim e Haddad, um pedido formal pela manutenção dos dois no governo por conta da boa avaliação que Lula faz da atuação deles.
Aliados da presidente eleita disseram à Folha que ela tem outros planos para o BC e que Meirelles estaria com "os dias contados" no cargo. Ele, porém, pode ocupar uma cadeira na Esplanada.

Decepção com Dilma será inevitável, diz 'The Guardian'

DA BBC BRASIL  02/11/2010

Os eleitores brasileiros optaram pela continuidade do "lulismo" através de Dilma Rousseff, mas a decepção com a próxima presidente será inevitável, na avaliação de um editorial publicado nesta terça-feira pelo diário britânico "The Guardian".
"Inevitavelmente, ela decepcionará. Após dois mandatos, Lula tem o status de uma entidade divina no país", afirma o editorial.
O jornal comenta que Lula conseguiu tirar 20 milhões de brasileiros da pobreza extrema, elevar 30 milhões à classe média e reduzir o desemprego a níveis recordes, em "uma mudança que os brasileiros puderam sentir".
Para o Guardian, Dilma é uma "tecnocrata de estilo rápido e direto" e assumirá a Presidência "em circunstâncias diferentes e com habilidades diferentes".
"As questões administrativas de sua Presidência não devem lhe apresentar dificuldade, mas as políticas poderão. A bajulação e a sedução não são seu melhor papel, apesar de chegar ao poder com maiorias nas duas casas do Congresso", diz o texto.
O jornal afirma ainda que o boom econômico vivido pelo Brasil pode também trazer desafios, com a ameaça de desindustrialização caso o país se acomode como exportador de commodities e não invista em seu setor manufatureiro.
"Para isso, o país precisa combater os problemas mais difíceis, como salários, aposentadorias, sistema tributário e dívida pública, os quais Lula mostrou pouco desejo de reformar", diz o Guardian.
Para o jornal, o trabalho de Dilma foi facilitado, mas ela deve enfrentar uma "lua-de-mel" com os eleitores mais curta do que a que Lula teve. Ainda assim, o diário conclui seu editorial afirmando que "a questão importante é que a visão de uma nação que tira milhões da pobreza enquanto sua economia cresce seja mantida viva".
PAÍS DIFERENTE
Também em editorial, o diário econômico britânico Financial Times adota linha parecida ao afirmar que os próximos quatro anos "serão mais difíceis" para Dilma do que foram os primeiros anos de Lula.
Para o jornal, apesar de "continuidade ser a palavra da hora no Brasil", Dilma e Lula são pessoas com personalidades muito diferentes, o que deve deixar o país também diferente sob o novo comando. "Seria uma coisa ruim se não fosse diferente", diz o editorial.
Para o FT, o carisma de Lula e "sua capacidade para praguejar contra algo de manhã e elogiar à tarde" permitiram a ele superar obstáculos como os escândalos de corrupção durante seu governo.
O jornal avalia que Dilma poderá ter dificuldades para manter coesa sua coalizão, "a não ser que Lula mexa seus pauzinhos nos bastidores, o que poderá trazer seus próprios problemas".
O editorial adverte ainda sobre os perigos da frágil recuperação econômica mundial, do aumento dos gastos públicos e dos juros altos, que ajudam a inflar o fluxo de divisas para o país, num momento em que as autoridades brasileiras se dizem preocupadas com a "guerra cambial".
O diário comenta ainda que Dilma terá também mais dificuldades do que Lula em sua política externa. "Uma coisa é Lula abraçar o presidente do Irã em nome da 'paz e do amor'. Outra coisa seria a 'dura' Dilma tentar o mesmo e sair incólume", diz o jornal.
Para o FT, "o Brasil sem Lula pode ser tornar mais turbulento e menos popular". "Mas isso também poderia mostrar que o país está se tornando mais aberto, democrático e maduro", conclui o jornal.

AMIGOS DA DILMA - Irã diz que quer manter boas relações com o Brasil no governo Dilma


Presidente Ahmadinejad felicitou a petista pela vitória da véspera.
Relações entre os países se estreitaram durante o governo Lula.

Do G1, com agências internacionais
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, disse nesta segunda-feira (1º) que deseja manter boas relações entre Irã e Brasil sob a presidência de Dilma Rousseff, em uma mensagem de parabéns à presidente eleita no domingo.
"As relações entre Irã e Brasil se desenvolveram nos últimos anos e estou convencido de que sob vossa presidência estas relações continuarão se aprofundando", afirma Ahmedinejad em mensagem divulgada pela agência oficial  de notícias Irna.
"A cooperação entre a República Islâmica do Irã e o Brasil foi muito boa sob a presidência de (Luiz Inácio) Lula (da Silva) e trouxe benefícios apreciáveis a nível bilateral, regional e internacional", destaca Ahmadinejad.
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, dá entrevista nesta sexta-feira (24) em Nova York.O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, dá entrevista em 24 de setembro em Nova York. (Foto: Reuters)
"Tenho certeza de que o Brasil continuará no caminho do progresso e do desenvolvimento, inclusive de forma mais rápida", destacou.
As relações entre Irã e Brasil foram valorizadas durante o governo Lula, o que gerou críticas ao petista dentro e fora do país.
O Brasil se envolveu ao lado da Turquia na questão nuclear iraniana e apresentou uma proposta de acordo entre o Irã e as grandes potências para tentar superar a crise.
Mas as grandes potências ignoraram a proposta sobre uma troca de combustível nuclear.
Isso levou Turquia e Brasil a votarem em junho contra uma resolução do Conselho de Segurança da ONU apresentada pela grandes potências e que impôs novas sanções econômicas ao Irã por seu controverso programa nuclear.